Repórter Aprendiz

 

Aproveitando a minha saída da Cidade Escola Aprendiz, resolvi escrever sobre um projeto que tenho muito carinho.

O resposável pela minha opção de seguir na carreira jornalística. É assim que posso resumir o Repórter Aprendiz, projeto de formação de jovens em comunicação, que se utiliza dos diversos tipos de ferramentas na confecção do produto final . Entrei nas oficinas em 2008, ano em que estava fazendo cursinho preparatório para o vestibular. Até então eu não sabia o que prestar. Estava em dúvida entre história, relações internacionais e jornalismo.

As primeiras semanas foram basicamente teóricas e foi ali que passei a conhecer mais sobre como construír um texto jornalístico, como elaborar uma pauta, além de como operar uma câmera e editar vídeos pelo programa Adobe Premiere. Posteriormente, vários exercícios práticos foram feitos até sairmos para fazer uma gravação oficial. Na minha primeira saída eu fui câmera e meu grupo foi ao Museu da Pessoa.

Assim, eu segui no Repórter com vários vídeos para gravar, editar (que eu não gostava muito no início) até meados de outubro, quando tive que deixar o projeto para me dedicar mais ainda ao vestibular. No final do ano deu tudo certo e passei em jornalismo na PUC-SP. Além disso, tive a notícia de que o Repórter Aprendiz continuaria no ano seguinte e quem havia feito em 2008 poderia seguir no projeto.

Em 2009 o Repórter passou por algumas mudanças. As pautas sobre soluções criativas para a educação deram lugar aos assuntos de interesse comunitário como cigarro, consumo, saneamento básico, entre outros. Dessa forma eu pude aprimorar tudo o que tinha aprendido no ano anterior. Sai do projeto no mês de outubro para começar a estagiar no Portal Aprendiz. Aos poucos colocarei aqui no blog mais vídeos que produzi no Repórter Aprendiz.

Abaixo segue um vídeo que foi feito na despedidaa do projeto em 2009:

Museu da Pessoa

Esse vídeo foi realizado em maio de 2008 e foi a primeira reportagem que filmei e editei. Em uma tarde chuvosa de São Paulo as educadoras Vivian Lobato e Gisele Ribeiro entregaram para mim e para as outras pessoas do meu grupo uma pauta sobre o Museu da Pessoa. A reportagem em vídeo deveria contar o que é esse museu e o que o faz ser diferente dos outros. Eu fiquei responsável pela filmagem e consegui fazer umas imagens legais. Uma pena que elas ficaram um pouco tremidas, mas era a primeira vez que algo que eu tinha filmado viraria um vídeo. A edição também foi feita pelo meu grupo.

Confiram o resultado no link: http://aprendiz.uol.com.br/content/debrinemol.mmp?video=260508

O Museu da Pessoa fica na Rua Natingui, 1100, São Paulo – SP

Escola pública derruba as paredes das salas de aula

A Escola Municipal Presidente Campos Sales, localizada em Heliópolis, zona sul da cidade de São Paulo (SP), implementou no início deste ano um projeto inovador: as paredes das salas de aulas foram derrubadas. No lugar, surgiram grandes salões de aula onde os alunos da mesma série são agrupados formando uma só turma.

O objetivo é buscar uma alternativa à forma tradicional de educação, fazendo com que os alunos se tornem cidadãos ativos na sociedade, além de conseguirem ingressar no ensino superior e, posteriormente, no mercado de trabalho.

Antes considerada uma favela, Heliópolis hoje é um bairro que possui cerca 120 mil habitantes e tem uma área de quase um milhão de metros quadrados. “A escola exerce um grande papel no local, pois é um centro de liderança e os problemas da comunidade passam a ser também da escola. Tudo passa pela educação”, explica o diretor Braz Rodrigues Nogueira.

Inaugurado em 1927, o colégio começou a se transformar em 1999. Nesse ano uma aluna envolvida com o tráfico de drogas foi assassinada depois de sair da escola. O fato fez com que Braz e outros integrantes da escola organizassem uma passeata pela paz com o objetivo de mobilizar a comunidade. O diretor lembra que se sentiu responsável pelo ocorrido e que precisava promover uma mudança na escola, única que era mantida aberta na região na época.

Foi então que, em 2006, em um encontro com pessoas ligadas à educação, Braz conheceu o modelo pedagógico da Escola da Ponte, de Portugal. Resumidamente, o projeto consiste em não oferecer aulas expositivas e um currículo definitivo. Os alunos escolhem suas áreas de interesse e desenvolvem o itinerário de aprendizado, por meio de projetos de pesquisa individuais e em grupo. À medida que se sente preparado, cada aluno procura o professor, e juntos fazem a avaliação do trabalho. Diante do modelo, o diretor brasileiro, junto com a comunidade, decidiu implementar um projeto semelhante na escola de Heliópolis.

Hoje, o Campos Sales tem cerca de 1.300 alunos que ainda são separados por séries. Eles seguem o plano pedagógico da escola, não escolhendo suas áreas de interesse, mas estudam em grupos de trabalho, pesquisando da forma que preferem. Assim, os professores, sempre mais de um nos salões, não exercem o papel de transmissores do saber, mas sim de auxiliadores no processo de aprendizagem.

Edilene, aluna da 8ª série, diz estar satisfeita com a mudança, pois consegue aprender mais e, sempre que tem dúvida, é possível resolvê-la com os colegas, antes de recorrer aos educadores. “Nós temos vários professores dentro do salão que nos ajudam”, lembra Daiane, aluna da 7ª série.

Além dessas mudanças há ainda a inclusão de outros projetos como aulas de informática, a Educação de Jovens e Adultos (EJA) e as aulas de música. Mesmo com os avanços, a escola ainda enfrenta muitos problemas. Alguns professores, por exemplo, sofrem com o processo de adaptação ao novo modelo e acabam executando o ensino tradicional. Segundo o diretor, tais dificuldades serão ultrapassadas com o decorrer do tempo.

Os bastidores

Esta foi a segunda reportagem que produzi para o Portal Aprendiz. Eu já tinha escrito uma matéria sobre a ONG Aldeia do Futuro no início de 2008, mas ela não foi publicada.

A ideia de escrever sobre o Colégio Campos Sales surgiu quando as educadoras do Repórter vieram com essa pauta para a gente realizar uma vídeo reportagem. A minha função era de produtor, ou seja, pensar o melhor local para fazer a filmagem, escrever a passagem e os offs. Quando a coordenadora do Núcleo de Comunicação soube do trabalho que íamos fazer em Heliópolis, me sugeriu que escrevesse uma matéria para o Portal.

A ida até a comunidade da zona sul de São Paulo foi muito divertida. Na van estava também o outro grupo do Repórter que ia realizar um vídeo sobre uma rádio comunitária. Chegando lá, meu grupo foi logo para a escola e antes de fazer a entrevista, fomos conhecer as instalações da Campos Sales.

Depois que a entrevista foi gravada em vídeo, sentei com o diretor e fiz a minha entrevista. Chegando em casa escrevi a matéria e mandei por e-mail para o editor do site. Alguns dias depois a coordenadora me ligou e me avisou que a reportagem estava no Portal. Fiquei extremamente feliz e era mais um passo para eu decidir o curso que iria prestar no vestibular do final do ano.

Confira o vídeo produzido pela equipe do Repórter Aprendiz 2008 aqui

*A reportagem foi publicada em junho de 2008

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